Depoimentos
Marina Alves de Oliveira Assayag
Marina Alves de Oliveira Assayag

Aprovada no exame oral do concurso nacional da magistratura, Marina Alves de Oliveira Assayag (Belém/PA) afirma: “(...) organizei todo o meu estudo: um dia para responder rodadas do GEMT; um dia para fazer sentença; um dia para fazer questões objetivas; um dia para ler informativos; um dia para ler resumos e fazer meus resumos. Anotava tudo o que lia de interessante, lia acórdãos de decisões que me interessavam, acompanhava os julgamentos do STF e TST pertinentes, enfim... foi um ano dessa forma. Bem, eu precisei ajustar algumas coisas. Tinha dificuldade para organizar minhas respostas nas questões discursivas e isso o Davi me ajudou. Já disse antes e repito: eu parei de procurar pelo em ovo. Também achava que não terminaria as sentenças, com êxito, no tempo: comecei a treinar incansavelmente sentença e, além das correções do GEMT, pedia para todo mundo corrigir.




Marina escreveu:

Olá Davi, Ciça, Aline e demais queridos amigos do GEMT! Primeiramente, é um enorme prazer e uma alegria gigantesca escrever este depoimento. Quantas vezes idealizei este momento, li outros depoimentos e pensava: quando será a minha hora? Pois bem. Aprendi a esperar e ter resiliência. Assim, descobri que, com essas atitudes, uma hora a ?hora? Chega! Eu, graças a Deus, tive uma educação muito boa e pais que sempre apoiaram todos os meus sonhos. Isso foi fundamental para que a minha jornada fosse menos árdua. Depois, veio o marido que, assim como meus pais, sempre esteve ao meu lado nos momentos em que eu precisei me ausentar para estudar, fazer provas e cursos. O primeiro contato real com o direito do trabalho foi na faculdade ? não durante as aulas de direito e processo do trabalho pois, apesar de excelentes, eram escassas. Fui estagiária no Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região, onde, além de aprender a trabalhar em equipe, com colegas maravilhosos, aprendi a escrever e redigir minutas de votos. Ali eu descobri o prazer que eu tinha de analisar o processo e fazer justiça, era como montar as peças de um quebra-cabeça. Foi lá, naquele gabinete, no 4º ano de faculdade, que eu decidi que queria ser juíza do trabalho! Mas eu demorei 08 anos, após formada, para passar no concurso. Sai da faculdade já trabalhando como assessora jurídica de uma empresa privada. Trabalhava bastante, ganhava bem e tive muitas experiências que foram cruciais para a minha formação como profissional. Demorei um pouco até engrenar nos estudos ? talvez uns 04 anos, período este que fiz pós graduação e me dediquei à advocacia. Inicialmente, assistia vídeo aulas, lia livros e, nessa ?desorganização?, passei em algumas primeiras fases, mas sempre ficava na segunda fase, às vezes com 05 pontos. E, após a minha última reprovação na discursiva ? lembro que foi no concurso do TRT 1ª Região 2015/2016 - resolvi casar e montar minha casa, período que passei praticamente 01 ano sem estudar. Foi justamente quando nacionalizaram o concurso! Pronto, veio uma bomba e eu só pensava: meu Deus, por qual razão parei de estudar?? Estava tão perto, agora nunca mais vai ter concurso! Mas, sinceramente, foi a melhor coisa que aconteceu (não por eu ter passado, isso também, mas não só), porém porque eu vi que era tudo ou nada! Que com a escassez do concurso eu ia ter que fazer o meu melhor, dar tudo de mim e focar 100% no que eu queria. ERA A HORA! E foi. Decidi que o ano de 2017 seria o meu ano e eu ia me dedicar 100%, mesmo sem a menor perspectiva de abrir concurso e com todas as notícias alarmantes de extinção da Justiça do Trabalho e crise no País: era corte de orçamento, crise econômica e o verdadeiro caos. Em 2017 eu só estudei! Digo, trabalhava umas 6 horas/dia, ia para academia/yoga 01 hora/dia e depois só estudava. Final de semana? Estudava! Feriado? Estudava! Mas tive que aprender a organizar os meus estudos, pois o tempo era corrido. Assim, com a ajuda de um amigo que havia passado em vários concursos, organizei todo o meu estudo: um dia para responder rodadas do GEMT; um dia para fazer sentença; um dia para fazer questões objetivas; um dia para ler informativos; um dia para ler resumos e fazer meus resumos. Anotava tudo o que lia de interessante, lia acórdãos de decisões que me interessavam, acompanhava os julgamentos do STF e TST pertinentes, enfim... foi um ano dessa forma. Bem, eu precisei ajustar algumas coisas. Tinha dificuldade para organizar minhas respostas nas questões discursivas e isso o Davi me ajudou. Já disse antes e repito: eu parei de ?procurar pelo em ovo?. Também achava que não terminaria as sentenças, com êxito, no tempo: comecei a treinar incansavelmente sentença e, além das correções do GEMT, pedia para todo mundo corrigir. Deu certo! Cada fase tem uma forma diferente de estudar e cada pessoa se adequa melhor à sua forma. Identifique suas dificuldades, seja as relacionadas às fases do concurso ou às disciplinas em si, e treine. Não há fórmula mágica, mas há muita dedicação e humildade! Você deve reconhecer que, se não deu certo, algo pode estar errado, pare e escute quem tem mais experiência que você, esteja aberto para aprender, sempre! Pergunte, faça amigos, troque ideias, tire dúvidas... O que posso falar é que a minha fé, minha resiliência e todos os amigos maravilhosos que fiz ao longo do concurso foram cruciais para a minha aprovação, muitos estiveram comigo nas 24 horas que antecederam a prova oral, ainda que de forma remota. Aaaah, o que falar das 24 horas que antecedem a prova oral? Eu temia! Mas foi o dia mais maravilhoso da vida. Eu estava tão feliz e agradecida de poder estar ali e ter a chance de, diante do auditório do Tribunal Superior do Trabalho e de 05 dos melhores juristas da matéria no Brasil, falar por 01 hora (e quem me conhece sabe, eu falo muito). Eu só tenho a agradecer! Portanto, reconheço que o momento é de incertezas, mas confiem: a Justiça do Trabalho não vai acabar! O trabalho dela é lindo e precisamos atuar com muita justiça e serenidade no coração. As perspectivas para nomeação e posse dos aprovados do atual concurso são ótimas, o que indica que novos concursos poderão vir. Logo, é hora de estudar! Confia, não perca tempo, apenas estude! Organize-se e estude. Se você sonha em ser juiz do trabalho, não deixe as circunstâncias alheias se envolverem no seu sonho, lute por ele que vai dar certo! Obrigada a todos que me apoiaram, ainda que de forma remota; aos que emanaram boas energias e orações; agradeço à minha família e ao meu marido; e ao GEMT, em especial ao Davi, a Ciça e a Aline, por terem sido tão companheiros comigo ao longo dessa jornada! Beijos, Marina Alves de Oliveira Assayag.

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